quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ONU acusa presidente da Costa do Marfim de perseguir missão de paz

Laurent Gbagbo se recusa a deixar o cargo após ser derrotado nas eleições.

O secretário-geral adjunto da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pelas operações de paz, Alain Leroy, afirmou que o trabalho do órgão Costa do Marfim é cada vez mais perigoso e acusou o presidente do país de enviar tropas para perseguir os soldados.

Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, Leroy afirmou que, apesar do recente risco de guerra civil no país africano, as tropas de paz permanecerão na área.
- Nossa missão é cada vez mais perigosa, mas não vamos renunciar. A determinação é de prosseguir com nosso mandato, que é principalmente a proteção da população e das autoridades políticas.
O secretário explicou que o governo do presidente Laurent Gbagbo - que é pressionado a admitir a derrota eleitoral - faz de tudo para cortar o fornecimento de petróleo e alimentos à missão da ONU.
- Ainda temos reservas, mas a situação se torna cada vez mais difícil e perigosa.
Leroy acusou Gbagbo de ordenar que soldados persigam os militares da missão de paz das Nações Unidas.
- As forças de Gbagbo perseguem nossos homens em suas casas para forçá-los a deixar o país e a RTI (Rádio e Televisão marfinense) multiplica as mensagens de ódio e os pedidos de ataque.
De acordo com Leroy, Gbagbo tem uma força de 20 mil homens, incluindo Exército, Guarda Republicana, polícia e mercenários da Libéria.
ONU tenta proteger vencedor das eleições
As tropas da ONU, que contam com 10 mil homens, estabeleceram posição ao redor do Golf Hotel - onde está abrigado o rival de Gbagbo, Alassane Ouattara - e patrulham na medida do possível a cidade de Abidjã, a mais importante do país.Ouattara foi designado vencedor das eleições com 54,10% dos votos, por decisão da Comissão Eleitoral Independente, mas o Conselho Constitucional, ligado a Gbagbo, invalidou os resultados por supostas "fraudes" detectadas no norte do país.

Desde então, a Costa do Marfim está dividida entre Gbagbo e Ouattara, que prestaram juramento como presidente.

A crise política tem gerado violência no país, especialmente após a repressão de uma passeata de partidários de Ouattara.

fonte: noticias.r7.com

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